No âmbito das parecerias entre a Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Escola Superior Agrária de Bragança, técnicos das duas instituições estão a avaliar a situação na tentativa de descobrirem a causa da mortandade.

Oliveiras secam em Trás-os-Montes por causas ainda desconhecidas
Organizações do sector atribuem a efeitos das geadas, mas há também quem fale em doença ou num vírus

Milhares de oliveiras estão a morrer em Trás-os-Montes por causas ainda não completamente esclarecidas que organizações do sector atribuem a efeitos das geadas, mas há também quem fale em doença ou num vírus.

A Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro decidiu tomar a iniciativa e, segundo disse à Lusa o presidente António Branco, já solicitou a especialistas académicos colaboração para estudar o caso.

No âmbito das parecerias entre a associação e a Escola Superior Agrária de Bragança do Instituto Politécnico e a Universidade de Trás-os-Montes, técnicos das duas instituições estão a avaliar a situação na tentativa de descobrirem a causa da mortandade.

António Branco realça que “não é uma verdade absoluta”, mas a convicção no sector é de que o que está a afectar as oliveiras são ainda efeitos das geadas de Novembro de 2007.

Segundo explicou, “a 14 e 15 de Novembro desse ano verificou-se uma ocorrência excepcional com temperaturas extremamente baixas associadas a outros factores como a humidade”.

De acordo com António Branco, logo nessa ocasião foram visíveis os efeitos imediatos, com milhares de oliveiras queimadas, e era já previsível os efeitos indirectos que acredita estarem ainda a ocorrer.

“A árvore ou morre ou pode ficar afectada e numa situação de stress intenso fica susceptível a outro tipo de patologias”, explicou, convicto de que o que está a ocorrer em Trás-os-Montes “é idêntico ao que aconteceu em França, em 1936, em que uma geada igual matou toda a produção”.

José Brinquete considerou hoje “não ser de afastar a possibilidade de se tratar de uma doença desconhecida” ou um vírus, como se fala entre alguns agricultores.

Daí os comunistas entenderem que se justifica a intervenção do Ministério da Agricultura para estudar e esclarecer o caso.

Por toda a região transmontana são visíveis as consequências do problema em muitos olivais, com a rama completamente seca ou em que resta apenas o tronco das oliveiras.

Esta “poda violenta” que deixa as árvores sem ramos é a prática aconselhada pela associação de olivicultores para permitir novos rebentos.

Fonte do Ministério da Agricultura disse à Lusa que a direcção regional do Norte “tem feito um acompanhamento” da situação em colaboração com a associação de olivicultores e que a convicção dos serviços é a de que “a causa da secura da oliveiras tem a ver com as geadas de há dois anos”.

De acordo com a fonte, os olivicultores tiveram a possibilidade de se candidatar à medida de Reposição do Capital Produtivo do programa AGRO para replantarem as árvores que perderam.

Porém, foram poucos os que o fizeram, tendo dado entrada nos serviços apenas cerca de 400 candidaturas.

O Ministério da Agricultura explica a fraca adesão com o facto de a data do programa, até Junho, ser uma época que os olivicultores entendem desadequada para fazer novas plantações.

A associação representativa do sector alega que “os olivicultores só encontraram dificuldades no processo de candidatura”.

O Ministério avisa que existem outras medidas a que podem candidatar-se, nomeadamente no âmbito do PRODER, o Programa de Desenvolvimento Rural, para replantarem as suas culturas, uma destinada ao olival tradicional e outra para pequenos investimentos até 25 mil euros.

A região de Trás-os-Montes é a segunda maior produtora de azeite do país, a seguir ao Alentejo.

A mortandade das oliveiras não afectará a quantidade de produção, segundo António Branco, porque os cinco mil hectares de novas plantações feitas nos últimos anos “compensam as perdas”.

“O que acontece é que devíamos estar a aumentar a produção, mas estagnámos. Já devíamos estar a produzir 120 mil toneladas por ano e continuamos nas 80 ou 90 mil”, explicou.

Fonte:Lusa